quarta-feira, 6 de julho de 2011

FILTROS SOLARES SÃO PROIBIDOS NA EUROPA

Devido excesso de Substâncias Tóxicas

27 de maio de 2011


A trajetória de um dos filtros solares mais utilizados no mundo todo, e que hoje é considerado como o que, potencialmente, pode oferecer sérios riscos.
Os estudos da toxicidade dos filtros solares orgânicos se iniciaram em 2001, a partir da constatação da bioacumulação ambiental desses produtos, especialmente em peixes. A partir daí, iniciou-se uma verdadeira corrida com  uma série de pesquisas em ratos e em seres humanos, a fim de se determinar a segurança, o potencial de bioacumulação e as interações hormonais desses compostos, principalmente a sua ação estrogênica.
Dentre os produtos testados, o 4-MBC (4-Metilbenzilideno Cânfora) foi o mais apontado como um agente que, quando aplicado topicamente, apresenta grande potencial de risco para o ser humano. Segundo estudos realizados nesse período, o 4-MBC apresenta evidências de bioacumulação ambiental, ou seja, acumula-se em peixes, em ratos, em culturas de células humanas e em seres humanos, podendo exercer ação hormonal nesses modelos.

A interação hormonal promovida pelo 4-MBC
Efeito sobre o TSH e uterotrófico
Em um estudo alemão, publicado em dezembro de 2005, foram comparados os  impactos da administração de fotoprotetores, entre eles o 4-MBC, e do E2 (estradiol-17beta). Ao final das avaliações, constatou-se, entre outras ocorrências, que o 4-MBC demonstrou efeito moderadamente estimulante no útero, inibiu o T4 sérico, resultando em aumento dos níveis do TSH sérico.1
Toxicol Appl Pharmacol. 2005 Dec 17.

4-MBC altera níveis séricos de T4 e TSH
Em outra publicação, do Instituto de Endocrinologia da Universidade de Berlim, ratas ovarectomizadas foram tratadas por 12 semanas com compostos que apresentassem, de forma suspeita, uma atividade endócrina ou antiendócrina, entre eles o 4-MBC. Como resultados, os níveis séricos da tireotropina (TSH) e dos hormônios da tireóide (T4,T3) foram alterados, mas não de maneira consistente com os mecanismos conhecidos da regulação feedback do eixo. No fígado, a atividade da enzima málica (ME) foi moderadamente aumentada pelo 4-MBC.2
Toxicology. 2004 Dec 1;205(1-2):95-102.

4-MBC retarda o início da puberdade e afeta o peso de órgãos reprodutivos.
Em estudo de pesquisadores da Universidade de Zürich, na Suíça, o 4-MBC  administrado na comida de ratos e de cães reduziu a taxa de sobrevivência pós-parto e o peso do timo, retardou o início da puberdade em machos, afetou de maneira dose-dependente os pesos dos órgãos reprodutivos e aumentou o peso da tireóide.

4-MBC age em células do câncer de mama humano MCF-7.
“Não pode ser negado que a exposição diária às formulações de protetores solares pode ter efeitos estrogênicos em seres humanos”.
Toxicol Appl Pharmacol. 2005 Oct 15;208(2):170-7.
A corajosa, porém realista, citação acima foi conclusão de um estudo de cientistas holandeses. Esses cientistas avaliaram a estrogenicidade dos filtros solares isolados ou associados em células do câncer de mama humano MCF-7, medindo-se a transcrição do gene pS2.

Filtros Solares podem ser absorvidos pela pele.
Em estudo publicado no The Journal of Investigative Dermatology, pesquisadores dinamarqueses avaliaram os parâmetros de absorção cutânea do 4-MBC, do OMC (Octil Metoxicinamato) e da BP-3 (Benzofenona-3). O estudo foi realizado em 32 voluntários sadios, entre eles 15 homens e 17 mulheres pós-menopausadas que aplicaram 2 mg/cm2 de creme contendo MBC 10%, OMC 10% e BP-3 10%. A presença dos 3 filtros foi constatada na corrente sanguínea, após avaliação da concentração plasmática. Os filtros também foram encontrados na urina, e nos homens foi inclusive notada uma diferença nos níveis de estradiol sérico.
J Invest Dermatol. 2004 Jul;123(1):57-61.

4-MBC e sua proibição na Europa.
Considerando todos os fatos e dados de segurança do uso de 4-MBC (4-Metilbenzilideno Cânfora), em novembro de 2005, na Europa, em Bruxelas, na Bélgica, a Comissão Científica para Produtos Cosméticos (The Scientific Committee on Cosmetic Products, SCCP) redigiu uma consulta pública com a finalidade de proibir o uso de 4-MBC em cosméticos.
Considerando a decisão do The Scientific Committee on Cosmetic Products 2004/210 de 4 de março de 2004, em novembro de 2005, foi proposta a proibição do uso de 4-MBC excluindo-o do anexo VII (“lista dos filtros solares que produtos cosméticos podem conter”).
Segundo o XXIV 1377/96 de janeiro de 1998 e o SCCNFP/0779/04 de maio de 2004, “o uso do 4-MBC nos protetores solares é uma razão de preocupação. As mudanças do perfil de hormônios da tireóide e a análise morfológica de tireóide em ratos são difíceis de serem interpretadas com os dados disponíveis”.

Mais um motivo para escolhermos bem a marca do Protetor Solar que vamos usar!
Fonte:  www.mauriciopupo.com

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